CURSOS

Corpo como Fronteira
Corpo como potência artística e de criação. Não um corpo inserido em um contexto fixo delimitado e nomeado, quer seja teatro, dança ou performance, mas um corpo como fronteira expressiva que expande e perfura essas bordas criando um espaço cênico, mas, ao mesmo tempo interseccionando todas essas relações teatro/dança/performance. Esse workshop trabalhará, na prática, o corpo dentro dessa fronteira de criação, seja na relação com o espaço, com o outro, com a música, com os objetos, buscando, sempre, a capacidade expressiva corpórea de cada participante.
Número de Participantes: 15
Tempo mínimo: 5 dias - 3 a 5 horas/dia

Conceituações sobre o corpo em Arte
Curso teórico cuja finalidade é discutir e debater conceitos importantes para o entendimento do corpo-em-arte como organicidade, retomada de ações, energia, treinamento, etc e também novos conceitos como corpo-subjétil e zona de turbulência.
Número de Participantes: 25
Tempo mínimo: 5 dias - 4 horas/dia

Treinamento para o ator
Curso prático, destinado a atores, bailarinos, diretores e artistas que utilizam o corpo como meio de expressão. Trabalha os diversos elementos técnicos que compõem o treinamento diário dos atores do LUME, fornecendo metodologias concretas para a instrumentalização do performer. Navega por temas básicos do trabalho de ator, como a transformação do peso em energia, a dinâmica das ações físicas no tempo e no espaço, a relação com o chão, a relação com o ar, o trabalho das articulações e a segmentação corporal, a energia animal e a relação entre atores. 
Número de Participantes: 15
Tempo mínimo: 3 dias - 3 a 4 horas/dia

Mimese Corpórea
A mímesis corpórea é uma metodologia, desenvolvida pelo LUME, de coleta de material físico/vocal orgânico através da observação, codificação e teatralização de ações físicas e vocais de pessoas, animais, fotos e quadros encontradas no universo cotidiano e/ou pessoal do ator. Esse workshop busca introduzir o ator no universo dessa observação artística e poética do cotidiano, iniciando pelos trabalhos pré-expressivos básicos que o instrumentalizam no "como" e "o que" observar e posteriormente o trabalho em sala para que a observação possa ser codificada de maneira orgânica pelo ator, transformando-a em seu material expressivo e poético de trabalho.
Número de Participantes: 15
Tempo mínimo: 5 dias - 3 a 4 horas/dia

Voz e Ação Vocal
Neste curso trabalha-se a voz como corpo. Busca-se desenvolver a  estrutura física muscular da voz com a ativação da musculatura, o controle dos impulsos oriundos do trabalho energético, a construção do corpo dilatado, sua presença cênica e a distribuição da energia para o espaço, senod possível assim,  preparar a musculatura necessária para descobrir os ressonadores vocais, a vibração da voz, a voz e a dimensão física da voz dilatada.
Número de Participantes: 15
Tempo mínimo: 5 dias - 3 a 4 horas/dia

Da energia à Ação
A arte de ator se concentra em dois elementos essenciais: presença e ação. A presença diz respeito a algo íntimo, uma pulsação que transpassa e percorre toda a ação cênica. A ação, como o trilho do trem, é a estrutura por onde a energia do ator se manifesta. Através da materialidade da ação é possível que a energia íntima do ator, sua presença, chegue ao espectador. Este curso tem como ponto de partida alguns dos elementos do treinamento energético e técnico dos atores do LUME como a transformação do peso em energia, a dinâmica das ações físicas no tempo e no espaço, a relação com o chão, a relação com o ar, o trabalho das articulações e a segmentação corporal, a relação entre atores, bem como a utilização de elementos externos como imagens, quadros, música, texto, objetos. A partir das diferentes qualidades corporais que cada um desses estímulos sugere, mergulha-se no corpo como agente central, seja ele corpo concreto, cuja musculatura necessita alongamento, força, segmentação, enraizamento ou o corpo energético, capaz de materializar diferentes qualidades de vibração na busca de uma expressividade pessoal.
Número de Participantes: 15
Tempo mínimo: 5 dias - 3 a 4 horas/dia

PALESTRAS

Memória, corpo e virtual
O corpo, como espacialização do aqui-agora, ou seja, do presente, mantém uma relação intrínseca com o tempo. Ele, em si, sendo “presente”, não pode nunca ser um passado, mas por outro lado assume, acumula esse passado nele mesmo, ou seja, no presente. Sendo assim, o corpo é uma presentificação, uma atualização do passado acumulado. Poderíamos dizer, paradoxalmente, que, no corpo, o passado é co-extensivo ao presente. Em outras palavras: ao mesmo tempo em que o corpo é um todo “presente”, ele também é um passado vivido, que se torna presente, no corpo, a cada instante. O presente não é algo que passa para ser transformado em outro instante presente, mas o presente se acumula nesse passado e é levado ao futuro imediato juntamente com todo o passado anterior. Assim, paradoxalmente, o passado é co-extensivo ao presente e o presente é presente ao mesmo tempo em que é passado. O presente do corpo é um tempo virtual situado em algum ponto entre uma percepção de meu passado imediato e de meu futuro imediato, sendo que esse futuro imediato carregará toda a minha memória passada, refazendo-se a cada instante. A memória-corpo é uma dinâmica espiral in continuum. Para o LUME é importante observar que o corpo acumula a memória numa relação dinâmica entre um estar-no-mundo adaptado e lembranças independentes de nossa percepção ativa do mundo, em outras palavras, esse acumulo ou duração é a propria CRIAÇÃO DE MÉMÓRIA. Memória é criação. Em outras palavras: o mundo se recria no corpo. É nesse corpo-acúmulo que as potências poéticas estão instaladas em potência. O corpo é uma potência poética virtual a ser explorada em seu limite para uma possível atualização espetacular, e esse é o trabalho de base de toda a história de pesquisa do LUME: ativar potências-memória no e do corpo em sua fronteira expressiva.
 
Corpo cotidiano e corpo subjétil: corpo único

A palestra “Corpo Subjétil” tem como objetivo discutir e refletir - através de conceituações e de uma mostra prática de trabalho - um processo de recriação de ações físicas e vocais através da observação do cotidiano que denominamos, internamente no LUME, de mimese corpórea e também alguns procedimentos de montagem do espetáculo Café com Queijo que utiliza esse processo como base de sua criação. Essa recriação de ações será discutida sobre um suposto possível corpo-em-arte-de-ator que gera, em si mesmo, pensamentos independentes, pois é um pensamento de cunho poético. Assim sendo um corpo-subjétil, corpo-em-arte, gera um discurso conceitual com esse pensamento poético e não sobre ele. E será na tentativa de abrir espaços e fissuras para essa questão, dentro de vários níveis dimensionais, que buscarei um possível corpo-em-arte-de-ator – corpo-subjétil - enquanto expansão e borda de seu próprio corpo com comportamento cotidiano, ou seja, um corpo em estado cênico gerado por entre linhas de fuga e como potência intensiva dele mesmo, nele mesmo e para ele mesmo. E sobre essa borda procurarei destrinçar seus elementos constituintes: a busca de sua construção através de treinamentos pré-expressivos, as recriações de matrizes e ações físicas e vocais codificadas, as inter-relações instáveis dessas recriações em relação ao outro ator e ao público e uma breve discussão sobre elementos mais pontuais como “presença” e “organicidade”.
 
Organicidade e o Paradoxo da presença
Percebemos que o que é mais presente no corpo-subjétil é justamente sua invisibilidade, sua virtualidade, seu caráter espectral poético, ou mais precisamente, a sua capacidade de se lançar nessa zona de jogo, levando consigo os espectadores. Paradoxo: o que realiza, então, a PRESENÇA de um ator, um corpo-subjétil PRESENTE é a sua própria não-presença enquanto virtualização na qual ele é lançado e lança. Quando um ator se faz PRESENTE significa que ele está se lançando ao mesmo tempo em que lança os espectadores em um território virtualizado, um território no qual sua técnica fomalizada e sua mecânica corpórea estará (in)visível. A potênica de presença de um ator está na capacidade de se lançar nesse estado de virtualização, lançando também os espectadores nesse estado. A presença de um ator, através do corpo-subjétil, deve ser medida pela sua capacidade de se tornar invisível, de criar uma não-presença, uma zona intensiva, uma zona virtual, de turbulência e jogo no qual ator e espectador se fundem numa zona de vizinhança. A presença de um ator não se localiza somente em seu corpo muscular, ou somente na presença ou ausência dos signos que esse corpo produz, ou somente na capacidade de reter uma determinada atenção do espectador, ou somente na imaginação ou capacidade semiótica dos espectadores. A presença do atuante está na relação dinâmica "entre" todos esses espaços e zonas. A presença de um ator não é produção, mas (in)produção, diluição, capacidade que esse corpo possui em se lançar, ele mesmo e os espectadores, em zonas de contágio e turbulência, criando e gerando a presença dessa zona virtual e intensiva. Presença de um corpo-subjétil é a capacidade de sua virtualização e, portanto, em última instância e paradoxalmente, a presença=capacidade de não-presença.

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